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Filme sobre violência doméstica emociona servidoras de Hortolândia e impulsiona debate sobre feminicídio

Evento na tarde desta quarta-feira (18/03), realizado no Teatro Elizabeth Keller, no Jd. Amanda, fez parte do Dia D “Hortolândia contra o feminicídio”

Entre lágrimas, espanto, expressões de choque e angústia, cerca de 100 servidoras da Prefeitura acompanharam, na tarde desta quarta-feira (18/03), a exibição do drama “É assim que acaba”, do diretor Justin Baldoni (EUA/2024), uma adaptação do livro “It Ends With Us”, da escritora Colleen Hoover. O livro conta a história de Lily Bloom, jovem que vive uma relação abusiva com o marido, semelhante à história de violência doméstica protagonizada pela própria mãe. O evento aconteceu no Teatro Elizabeth Keller, órgão da da Secretaria de Cultura, localizado no Jd. Amanda.

A sessão de cinema, promovida pela Secretaria de Administração e Gestão de Pessoal, fez parte da programação da Prefeitura para o Dia D “Hortolândia contra o feminicídio”. Como começa a violência? Que sinais ela dá? Como fazer para identificá-los? Como romper o ciclo? Onde buscar ajuda? Promover estas e outras reflexões sobre o tema está entre os objetivos da Prefeitura com o evento e as demais atividades do Mês da Mulher. 

“Esse ato vem para dizer que nós não estamos mais aceitando perder a vida das nossas mulheres por conta de violência, que queremos respeito e dignidade.  E que isso precisa ser tratado com a sociedade. Essa não é uma causa só da mulher,  mas ela também não é só uma causa do homem,  ela é uma causa da sociedade.  E nós precisamos tratar, porque nós precisamos lutar sempre pela vida,  vida com dignidade e vida com respeito”, ressaltou a primeira-dama e secretária de Inclusão e Desenvolvimento Social, Maria dos Anjos Assis Barros, que representou o prefeito José Nazareno Zezé Gomes.  

Segundo a secretária de Administração e Gestão de Pessoal, Ieda Manzano, idealizadora da atividade, levar o tema até o funcionalismo, sobretudo às servidoras, é igualmente fundamental. 

“Esse é um filme que retrata a violência sofrida por uma mulher. Uma violência que, muitas vezes, é realizada por meio do silêncio, com medo, com ameaça, às vezes, de modo até imperceptível. A mulher não percebe que está sendo violentada, porque vai começando devagarinho, devagarinho, e lá na frente vai transcorrendo para uma violência física. Vamos refletir, através desse filme, sobre todas aquelas mulheres que perderam a vida, vítimas de feminicídio, que também começou lá atrás com uma violência talvez silenciosa. Esse filme é um alerta. Eu quero que vocês assistam com essa visão de reflexão da violência em relação à mulher, que surge às vezes de forma silenciosa, mas que a gente tem que observar”, ponderou a secretária.

Ao final da sessão, que durou mais de duas horas, ainda impactadas pela mensagem cinematográfica, as espectadoras revelaram suas impressões e reflexões sobre o filme e o tema da violência contra a mulher.

“Esse filme me impactou muito. Ele mostra que, se a gente tivesse a coragem e a força de falar não e de sair de uma relação dessas tão abusiva, não teria tantos casos de feminicídio, não somente em Hortolândia, como no Brasil inteiro. Se todo mundo tivesse a oportunidade de assistir a esse filme, como tivemos hoje, eu acho que seria uma virada na sua vida”, avaliou Tatiana Priscila Costa da Silva, 34 anos, servidora do Departamento de Segurança Alimentar da Secretaria de Educação, Ciência e Tecnologia.

“A mensagem que eu tiro desse filme é de encorajamento e de empoderamento da mulher mesmo. Ela tem que se conscientizar de que [a violência] vai se repetir sempre e de que existem outras formas de estar resolvendo isso, de estar continuando a viver, saindo dessa situação de violência”, afirmou Daniela Isolina da Costa, 50 anos, servidora da Secretaria de Assuntos Jurídicos. 

“Esse filme fala muito sobre ciclos. Ela [personagem Lily] falou sobre a mãe, que apanhava, e ela começou a apanhar. No final, ela quebrou esse ciclo, terminando com o marido, se separando para que o mesmo que aconteceu com ela não aconteça com a filha. É isso que a gente tem que fazer, quebrar ciclos, porque muitas vezes as mães apanham, os filhos apanham e acham que isso é normal. E não é normal! A gente tem que se dar mais valor. Essa é a minha opinião”, ponderou Cristiane de Souza, 47 anos, servidora da Secretaria de Governo.

“Nunca é tarde para começar uma mudança que pode parecer difícil, nesse caso, de romper com uma amarra, que tem a ver com machismo. Eu acho que sempre dá tempo de conseguir fazer essa virada, virar essa chave, e se libertar de um relacionamento abusivo”, argumentou Luna Plaza, 32 anos, servidora do Departamento de Comunicação da Secretaria de Governo.

Na mensagem às servidoras, Maria dos Anjos também destacou o papel da empatia de uma mulher para com a outra.

“É muito importante um momento como esse, porque a gente acaba vendo na dor da outra aquilo que a gente não quer pra gente e tem que lutar contra. Nesse quesito de violência contra a mulher,  nós, mulheres, temos que nos olhar,  refletir sobre a nossa vida, sobre o nosso convívio e verificar se estamos tendo, no nosso dia a dia, empatia uma com as outras. Cada uma de nós carrega uma história e as nossas próprias dores. Que a gente possa refletir também se estamos agindo bem com a nossa colega de trabalho, com as pessoas que nos procuram, com as pessoas que precisam de nós e possamos ter sempre empatia umas com as outras. Que a gente possa ser sempre a mão que levanta para ajudar,  mas nunca para julgar”, afirmou a secretária.

CRAM

Em Hortolândia, mulheres em situação de violência podem contar com o suporte da Prefeitura, por meio do CRAM “Débora Regina Leme dos Santos”. Segundo informa a página do serviço no site da Administração Municipal, “o órgão oferece “atendimento especializado e acolhimento humanizado para mulheres em situação de violência doméstica, com foco na proteção, orientação e suporte integral”.

O CRAM dispõe de serviços multiprofissionais gratuitos, como:

  • Atendimento Psicossocial; 
  • Orientação Jurídica; 
  • Encaminhamento para serviços de saúde, assistência social, segurança pública e demais instituições que integram a re de de proteção; 
  • Intermediação junto à Delegacia de Defesa da Mulher e outros serviços relacionados; 
  • Promoção de ações educativas e de conscientização sobre violência contra a mulher e direitos humanos; 
  • Oficinas, palestras e eventos para fortalecer a autonomia das mulheres
  • Acesso ao Programa Guardiã Maria da Penha

Localizado na Rua Alberto Gomes, nº 18, no Jardim das Paineiras, o CRAM atende de segunda a sexta, das 8h às 17h. 

Confira os canais de acesso:

(19) 3819-6298

(19) 9 7171-5655

cram.smg@hortolandia.sp.gov.br

Em caso de violência, você pode acionar:

  • Disque 180 (24 horas), canal que recebe denúncias de forma anônima
  • CRAM (Centro de Referência e Atendimento à Mulher) “Débora Regina Leme dos Santos” – WhatsApp (19) 97171-5655
  • DDMH (Delegacia de Defesa da Mulher de Hortolândia) – Rua Benedicta Pires de Assis, 88, Remanso Campineiro
  • Conselho Tutelar II: (19) 99979-9903 (bairros da região do Jardim Amanda, Rosolém e Jardim Novo Ângulo)
  • Conselho Tutelar I: (19) 99785-2442 (demais bairros)
  • Guarda Municipal: 153 e 08000 111 580
Publicado em:Administração e Gestão de Pessoal,Mulher,Servidor Municipal

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