Projeto “Respeita Nossa História” levou conversa sobre ancestralidade e contemporaneidade para 500 crianças de Hortolândia
Com o objetivo de enfrentar distorções históricas e promover o respeito à diversidade, a Prefeitura de Hortolândia realizou, nesta terça-feira (14/04), uma jornada de vivência educativa em duas escolas da rede municipal de ensino: a Emei (Escola Municipal de Educação Infantil) Jardim Nova Europa e a Emef (Escola Municipal de Ensino Fundamental) Samuel da Silva Mendonça. A ação foi conduzida por Nikita Nhandeva, da etnia Guarani Nhandeva, idealizadora do projeto “Respeita Nossa História”, que busca dar visibilidade e protagonismo aos povos originários, por meio de uma abordagem descolonizada da educação.
A iniciativa da Secretaria de Educação, Ciência e Tecnologia atende às diretrizes da Lei nº 11.645/2008 e vai além do currículo formal ao propor uma transformação crítica das narrativas que, historicamente, invisibilizam e estigmatizam essas populações. Durante a atividade, os alunos tiveram contato direto com a cultura material indígena, explorando instrumentos musicais, cestarias e artefatos que evidenciam a pluralidade e a tecnologia desses povos.
Nikita enfatizou que a educação é a chave para romper com o imaginário colonial que retrata o indígena apenas como um personagem do passado ou isolado na natureza. “A importância de levar a história e a cultura indígena para o espaço é para que eles tenham conhecimento um pouco mais de nós e da nossa história. Quando falamos em povos indígenas, imaginamos algo do passado, que nem existe mais, mas somos um povo com passado, mas não do passado, somos contemporâneo”, afirmou a palestrante.
Além do conteúdo histórico, a vivência trouxe uma reflexão essencial sobre a convivência familiar na era digital. Nikita incentivou os alunos e famílias a valorizarem o diálogo e o “olho no olho”, pontuando que “na era da tecnologia, a gente tem deixado de ouvir os filhos” e que é fundamental reservar momentos para “sentar e conversar”, desconectando-se brevemente dos celulares para fortalecer os laços afetivos.
A gestora da Emef Samuel da Silva Mendonça, Silvia Roberta Lopes Costa, ressaltou o impacto positivo da atividade para os cerca de 500 estudantes atendidos pelas unidades. “Receber esse projeto foi uma experiência transformadora que permitiu aos nossos alunos verem a cultura indígena como algo vivo e contemporâneo, fortalecendo o respeito às nossas raízes através do afeto e da escuta”, afirmou a gestora.
De acordo com a Secretaria de Educação, Ciência e Tecnologia, a iniciativa integra os esforços para consolidar uma prática pedagógica descolonizada, voltada à valorização e ao protagonismo dos povos originários. Ao promover esse encontro entre a ancestralidade e a contemporaneidade, a rede municipal contribui diretamente para o combate ao racismo estrutural, formando cidadãos mais conscientes.
“Ela veio à escola para compartilhar sua cultura e falar sobre a importância dos estudos. Aprendi que estudar é fundamental para conhecer o mundo e construir um futuro. Ela contou que, aos 10 anos, não teve acesso à escola por ser indígena, e isso me fez refletir, pois acredito que todos têm direito à educação, independentemente de sua origem, inclusive os povos indígenas”, afirmou Victor Sobral, estudante do 5º ano A.