Prefeitura oferece vários cursos gratuitos que atualmente têm mais de 230 alunos com deficiência inscritos
Em Hortolândia a inclusão social de pessoas com deficiência (PcDs) é realidade. É um fato que acontece diariamente, desde de em salas de aula até nos palcos da cidade. A Prefeitura oferece 30 formações culturais, em diferentes linguagens artísticas, que também são abertas às PcDs. De acordo com a Secretaria de Cultura, atualmente os cursos têm 234 PcDs inscritas. Vale destacar que o município oferece um curso específico para PcDs, chamado dança inclusiva.
Para o secretário de Cultura, Régis Athanázio Bueno, a arte tem que ser inclusiva. “A arte não tem limites. A cultura só faz sentido quando é para todos. Quando é inclusiva. A cultura tem que atingir todos os públicos, seja no atendimento, seja nas diferentes linguagens artísticas, seja quem vai assistir apresentações, shows e espetáculos promovidos pela Prefeitura. É por isso que abrimos as portas das formações culturais também para PcDs. Afinal, uma das prioridades da Prefeitura é cuidar das pessoas. E dentro dessa política, democratizar cada vez mais o acesso da população à cultura e à informação é garantir que as pessoas tenham qualidade de vida e bem-estar”, salienta o secretário.
A chefe do Setor de Formações e Oficinas da Secretaria de Cultura, Eliane Silva, ressalta que o trabalho de inclusão de PcDs aos cursos oferecidos pelo município é feito de forma humanizada e que respeita a individualidade de cada um.
“Fazemos o acolhimento de PcDs de forma gradual. As famílias, os parentes e/ou os responsáveis entram em contato. A Secretaria de Cultura mostra quais são os cursos oferecidos. A partir daí, cada PcD vai escolher fazer o curso que desejar fazer, com o qual mais se identificar. A escolha é feita pelo aluno. Não é a família, o professor ou o médico que escolhem. Trabalhamos assim com base no respeito ao princípio do direito cultural, que é assegurado por lei aos cidadãos”, esclarece Eliane.
As formações de Artes Cênicas são as que têm maior quantidade de pessoas com deficiência. De acordo com a Secretaria de Cultura, são 106 alunos inscritos. Dois deles são Raphael e Kathellen, ambos com 15 anos. Eles são aprendizes do curso Iniciação ao Teatro.
Os adolescentes integraram o elenco do espetáculo “A menina que buscava o sol”, encenado, no mês passado, no Teatro Elizabeth Keller de Matos, que fica dentro da Unidade Cultural Arlindo Zadi, no Jardim Amanda. A apresentação foi para comemorar o Dia Mundial do Teatro.
Aluno do curso há três anos, Raphael tem TEA (Transtorno do Espectro Autista) (na foto abaixo de cartola). De acordo com sua mãe adotiva, Valdirene Stella Sousa, ele tinha vontade de fazer teatro. “Ele se identifica muito com o teatro porque tem que usar fantasias. Desde que começou o curso, ele tem se dedicado muito”, conta a mãe.

A formação tem trazido benefícios ao adolescente. “O curso tem ajudado Raphael a socializar mais com as pessoas”, destaca a mãe. No dia da apresentação do espetáculo, ela ficou feliz. “Foi muito prazeroso vê-lo no palco. Ele está evoluindo. Ele me disse que quer ser ator. Eu falo para ele ensaiar bastante. Que para ele conseguir realizar esse sonho basta ter vontade, e que depende do esforço dele”, relata a mãe.
PERTENCIMENTO
Kathellen também mostra que a arte é uma poderosa ferramenta para promover a inclusão social de PcDs. A adolescente, que é cega e tem mobilidade reduzida, faz o curso Iniciação ao Teatro desde agosto do ano passado. “Gosto muito porque tenho um monte de amigos no curso. Eles são muito receptivos, me incluem em tudo e me tratam de igual para igual”, conta a aprendiz.
O dia do curso é sempre um momento muito aguardado pela adolescente. “Faço aula às sextas-feiras. Sempre fico ansiosa pelo dia do curso. Eu gosto muito de ir”, afirma com felicidade Kathellen.
O aprendizado despertou a vocação profissional da jovem aprendiz. “Vou ser escritora de peças de teatro musical”, afirma com convicção a adolescente.
O professor da formação Iniciação ao Teatro, Shita Yamashita, salienta que a arte transforma a forma como PcDs se relacionam com o mundo e com os outros. “Juntos, Kathellen e Raphael mostram diariamente que o teatro não exclui, acolhe. O teatro permite que cada um participe do seu jeito, com as suas ferramentas, sem precisar se encaixar em um molde. E, mais importante, o teatro ensina que a arte é um lugar onde todas as vozes têm vez. Por tudo isso, sou a favor do teatro como instrumento de integração social. O teatro não apenas inclui, celebra as diferenças”, destaca Shita.
De acordo com o professor, Kathellen e Raphael, cada um à sua maneira, têm se destacado nas aulas e nas encenações. “No começo, muitos imaginavam que a Kathellen teria dificuldades em se expressar corporalmente ou em se localizar no espaço. Mas o teatro mostrou exatamente o contrário. Por meio de exercícios sensoriais e da palavra falada, ela aprendeu a ocupar o palco com sua presença. A usar a voz como ferramenta de emoção, e a confiar nos colegas para se movimentar em cena. Hoje, ela improvisa, cria personagens e conduz cenas com uma segurança que poucos têm. O teatro devolveu a ela não apenas protagonismo, mas também pertencimento”, destaca o professor.
O desempenho de Raphael também é elogiado pelo professor. “Ele já está comigo no terceiro ano de teatro. No início, ele evitava contato visual. Tinha dificuldade em se expressar, e preferia ficar isolado. Mas aos poucos, o teatro foi se tornando um espaço seguro para ele. As atividades lúdicas, a previsibilidade dos jogos dramáticos e o respeito ao seu tempo ajudaram Raphael a se abrir. Ele aprendeu a esperar a vez de falar. A ouvir os outros, a expressar sentimentos que antes ficavam guardados. Mais do que isso: ele fez amigos”, destaca Shita.
FORMAÇÕES
A Secretaria de Cultura oferece 30 formações, divididas em seis segmentos:
– Artes Cênicas
– Artes Visuais
– Audiovisual
– Patrimônio
– Música
– Patrimônio e Memória
Dentre os cursos oferecidos estão jazz, circo, desenho artístico, fotografia, grafite, redação e produção de texto, percussão sinfônica, capoeira, canto coral, iniciação ao violão, musicalização infantil, musicalização inclusiva, dentre outros.
Este ano, a secretaria registrou o recorde de 2.017 inscrições nas formações culturais. O número de inscrições registrado foi o maior em comparação com anos anteriores. As aulas das formações começaram no mês passado.
As formações são ministradas nos seguintes espaços culturais da Prefeitura:
– Centro de Educação Musical Municipal Maestro Ronaldo Dias de Almeida (CEM): rua Vicente Palhaço, 32, Jardim Rosolém
– Escola de Artes Augusto Boal: rua Casemiro de Abreu, s/nº, Jardim Amanda
– Unidade Cultural Arlindo Zadi: rua Graciliano Ramos, 180, Jardim Amanda
– Armazém de Artes Salvador Gomes de Barros: rua Ercilio Antonio Meira, 435, Jardim Santa Izabel
– Escola Municipal de Circo: rua Casemiro de Abreu, s/nº, Jardim Amanda